segunda-feira, 17 de maio de 2021

O cí(i)r(co)culo da minha vida

Para respirar escrevo

Para escrever vivo

Para viver respiro

sábado, 24 de abril de 2021

July Helen: há 29 anos acumulando contradições


Eu sempre gostei de gastar meu tempo observando as pessoas, suas atitudes, seus comportamentos, tentando defini-las sob o aspecto ao qual eu tinha acesso, ou seja, o parcial, que quase sempre é o mais legal. Isso porque as pessoas, normalmente, preferem expor mais aquele seu lado melhorzinho, principalmente em tempos de hiper exposição nas redes sociais, quando observamos as perfeições passarem demasiadamente em nosso feed como se isso fosse um retrato da realidade... 

Pois bem, além de analisar os outros, também gosto muito de me analisar. Porém exatamente como eu faço com os alheios, faço comigo mesma: me julgar e me definir somente pela faceta exposta. Isso faz com que pensamentos assim sejam gerados na minha mente: "então eu sou assim" ou "então eu sou assado". Sem meio termo. Sem titubear. Ando na linha. Focada naquela pessoa que eu mostro para os outros e também para mim.

Ao pensar a respeito disso, surge uma questão: e se eu não precisar seguir regra nenhuma sobre mim? E se esse manual que sigo não existe? E se eu estou presa dentro de um quarto no qual a porta não está trancada? 

BINGO!

Foi assim, pá pum. Eu só girei a maçaneta e, de repente, estava livre. Era uma verdade tão presente, mas tão inconsciente... 

Desviando-me do meu protocolo, exponho algumas contradições: 

- sou vegetariana mas como peixe;

- sou amante da cultura prestigiada mas amo um besteirol americano;

- sou limpinha mas as minhas panelas não são areadas nas bordas;

- gosto de ser saudável, mas não posso ver um doce gorduroso;

- não tenho medo de seguir meus sonhos, mas morro de medo de dirigir;

- sou dedicada mas não posso enxergar uma brecha para procrastinar;

- gosto de ler, mas não devoro livros em questão de horas (ou dias);

- sou estudante de letras e não sei tudo da gramática normativa;

- canto em coral mas tô por dentro dos funks da gurizada;

- sou vaidosa mas acho perda de tempo pintar as unhas;

- sou inquieta, mas posso passar o dia inteiro tomando banho de sol sem me mexer;

- etc.

Tantas contradições de mim para mim e em mim. E qual é o problema? Nenhum. 

A Fresno já avisava "quebre as correntes", mas é que nem sempre a gente tá pronto pra entender o que significa apenas ser.

Simplesmente seja o que é.


Gratidão por esses 29 anos de vida e por ter a oportunidade diária de evoluir.

segunda-feira, 19 de abril de 2021

Eu e o quebra-cabeça dos dálmatas

[Postado no Facebook dia 24 de abril de 2020.]


Hoje é dia de reflexão, pois completo mais um ano desde que saí de dentro da minha mãe e isso foi há 28 anos... Chego aqui, neste dia 24/04/2020 com a certeza absoluta de que não temos certeza de nada.
Quem me conhece sabe que hoje é o badalado, fiasquento e "maravilindo" DIA DA PRINCESA e que há alguns anos comemoro meus anivers perto de amigos, perto de música, perto de comida e perto de bebida boa e barata (claro). Esse ano eu já tinha um lugar perfeito pra ir, mas aconteceu, tá acontecendo e ainda vai acontecer o coronavírus. Eu não estou triste, nem brava, nem espraguejando o universo, porque eu sei que nossos planos são só planos, não significam que vão acontecer. Não tô falando pra não ter planos!!! Hahahhah Tô só dizendo que o rumo muda, sem a gente querer. E o que fazemos? Lidamos.
Então, como sou muito de pensar (viajar mesmo), considero-me feliz aos 28. Acho que sou um monte de coisa misturada que até aqui deu certo e sinto orgulho do que vejo. Sou como esse quebra-cabeça dos dálmatas, foram algumas tentativas de completá-lo (durante anos)... Porém chegou o dia em que ele ficou "incompletamente" pronto.
Acho que estamos sempre em construção e não tem problema ficar faltando peça, quem se arrisca acaba deixando um pouco de si pelo caminho...
Obrigada, vida!
Obrigada, July de ontem, família, amigos, não amigos e pessoas aleatórias que cruzaram o meu caminho até aqui, todos vocês contribuíram para a eterna construção do meu ser. ❤
"Identidade, então, não é fim, nem começo; ela situa-se no próprio processo de sua construção. Donde a metáfora do 'mosaico' em que as partes vão se agregando para construir o todo." (BERNO, 2018, p. 46).

segunda-feira, 29 de março de 2021

Estou de saída desde a minha chegada

   



Dia 15 de novembro de 2019, data fatídica: bem na parte frontal de minha cabeça encontrava-se meu primeiro fio de cabelo branco. Estava confirmado: envelhecia!

A síndrome de Peter Pan sempre me perturbou: eu não queria usar sutiã, eu não queria menstruar, eu não queria doar meus brinquedos, eu não queria crescer! Ainda por cima, pedia esse milagre pra minha mãe:

- Mãe, eu não quero crescer!!!

- Tá bom, vou pedir pro pediatra te prescrever um remedinho pra tu ser criança pra sempre...

Ela levava na brincadeira, mas, pra mim, esse sempre foi um caso seríssimo.

Porém, agora, eu estava aqui refletindo, enquanto tomava um café: será mesmo que eu não queria crescer ou será que foi o contrário? Pois eu fico com a segunda opção. Ou seja, na realidade, o que ocorria/ocorre é uma frustrante tentativa de me segurar à infância - ou ao início - que me distancio, assim, resistia/resisto aos símbolos do crescimento. Isso explica porque enquanto escrevo esse texto, volta e meia, faço massagem facial, a fim de brigar com as duas - malditas e insistentes - rugas entre minhas sobrancelhas. Então, partindo dessa ideia, me dou conta de que uso esse sistema de proteção para me fazer esquecer que estou de saída desde a minha chegada. 

Posso dizer que sempre fui madura, adulta, e até um pouco idosa, dentro da criança que eu era. Só que agora eu sou um pouco criança dentro da adulta que sou. Como as bonecas matrioshkas, eu sou um monte de versões de mim dentro de mim mesma.

Por isso eu estou pensando no seguinte: será que eu já cresci? Será que não é a minha criança envelhecendo ou minha adulta morrendo? Não sei. Mas essa organizada bagunça que sou está entendendo que os ciclos existem, são reais, e que meu corpo físico também é um deles. Por isso, eu escolho andar nesta roda gigante que sobe bem devagarinho - ainda bem-, aproveitando a vista e torcendo pro controlador não acelerar a descida.

Carpe diem!

   




sexta-feira, 26 de março de 2021

O mistério do meu fim

Como algo tão certo como o fim pode ser, ao mesmo tempo, tão incerto assim? 

Do meu acabar eu não sei, mas sei do meu começo, que tem até data marcada, e do meu meio, que é o ontem e o hoje.

Acho que tenho tanto medo do meu final, que talvez eu termine de forma banal, que acabo construindo extensões de mim. 

Meu jeito de me infinitar é pelas palavras, decidi me alongar em letras. 

Assim, posso continuar em texto eterno, mesmo após o término de mim.