terça-feira, 10 de novembro de 2020

Insônia

O problema em crescer é que quando a gente tem insônia, não tem pra quem ligar. O primeiro motivo é que teus 600 amigos se reduziram a seis. O segundo é que eles também cresceram e precisam trabalhar no dia seguinte. 

Acho que acabei de me dar conta de que possuo mais uma evidência de que estou envelhecendo: solidão.

sexta-feira, 28 de agosto de 2020

A sopa



terça-feira, 30 de junho de 2020

Realidade surreal


Nesta foto sou eu, em fevereiro de 2020 e inacreditavelmente ainda estamos no mesmo ano. Como diria Chorão:

"como pode tudo mudar?
em um segundo nem pensar
não vou voltar atrás
agora é assim que vai ser"

   Após 3 meses e meio de isolamento social, preciso dizer como me sinto e talvez alguém que leia este pequeno texto acabe por se identificar.
   Eu amo falar, não calo a boca nunca e por consequência sou muito sociável. Embora eu esteja mantendo o contato virtual com inúmeras pessoas, isso nunca é o suficiente. Eu tenho uma fome insaciável de companhia, uma sede de gente que se assemelha a de ressaca de vinho tinto seco. Estou carente? Pode ser... Mas sendo eu um mamífero, latino e ainda por cima brasileiro, acho que é normal sentir falta do contato físico com a humanidade.
    Eu sinto falta de ir ao bar com meus amigos, tocar na mesa cheia de germes e não me preocupar com isso. Sinto falta de dar gargalhadas com a boca bem aberta sem lembrar de todas as partículas imundas que saem por meio da minha saliva e que espirram no ambiente. Eu quero voltar a escolher os meus cacarecos nas lojas de 1,99 com as minhas próprias mãos. Quero cochichar no teu ouvido sem máscara. Quero voltar a comer brigadeiro quente no mesmo prato que tu. Quero tomar caipirinha no mesmo copo em que aquelas 15 pessoas estão colocando a boca. Quero voltar a tocar no mundo, sem medo.
   Estamos vivendo uma realidade surreal, um paradoxo inimaginável. Eu só quero voltar a respirar  fundo e pensar: tá sereno, é só poluição.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

Lembrei de mim

   Sabe quando uma música te lembra alguém? Pois é, aconteceu comigo, mas foi lendo um livro! 
E essa leitura me fez lembrar de mim...
Portanto, presento-lhes a minha mais nova paixão:


  Esse livro veio para mim muito por acaso, troquei ele por algum outro, num evento de troca. Eu o escolhi porque sua capa realmente me pareceu adolescente e como sou uma adulta muito teens fazia todo sentido pegá-lo. O que eu não sabia é que era uma obra-prima da literatura juvenil, conforme minha opinião, pelo menos. Então, esse livro ficou lá em cima da minha cômoda o último semestre inteiro. Eu até tinha começado a ler, mas foi impossível continuar paralelamente com as leituras obrigatórias. Mas devo confessar, nas primeiras páginas esse livro não me conquistou. A verdade é que eu odeio começar um livro e não terminar, por isso voltei pra ele assim que tive um tempo.
  Após me retratar do quase crime de não ler essa maravilha, engrenei na história de Elise Dembowski e não pude mais voltar atrás. Analisando os fatos, só há um motivo para eu ter amado tanto essa obra: eu me identifiquei com a protagonista. Elise é uma adolescente que corre atrás de coisas que ela acha que deve buscar, ou seja, está perdida no auge dos seus 16 anos no labirinto da puberdade, onde a maioria de nós já esteve.
  Reconhecimento é o que nos une a Elise e o fator psicológico da personagem é algo a se destacar. Elise é sincera com o leitor, até mesmo quando tem vergonha de assumir seus erros ela se abre para que possamos encarar nas dúvidas dela também as nossas. 
  Mas a cereja do bolo está na trilha sonora que esse livro me apresentou ou me relembrou. Bandas incríveis são citadas no decorrer da narrativa, o que nos faz curtir baladas underground junto a protagonista. E no meu caso é impossível não lembrar dos meus 16 anos, do extinto Pop Cult ou do movimentado Rock'n Roll Bar, dos meus looks listrados ou quadriculados, das batidas das músicas, da falta de maturidade e tá tudo bem, eu só lembrei de mim.

Recomendo a leitura!

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Nem tudo que ganhamos é o que queremos

  

Fonte da imagem: https://luizandreoli.com.br/lilian-schiavo-quando-voce-tomou-as-redeas-da-vida/

   Vim falar sobre uma pequena parte da minha vida, que eu acredito ter um ensinamento válido para ser compartilhado. Espero que traga algo de relevante, se não, paciência...
   Em 2007 eu estava entrando numa das melhores escolas técnicas da região. Entrei por mim? Não, entrei por pressão. Mas se tratando de uma adolescente de 14 anos, acredito ser de extrema importância os pais darem um pequeno empurrão em direção a algum caminho. Pois bem, entrei num curso que eu não tinha praticamente nenhum interesse, só que eu não tinha muitas opções, portanto, qualquer um que eu escolhesse eu sofreria, isso era um fato. 
   Eu sei que eu já tinha 15 anos (faço aniver no começo do ano letivo) e só tinha outras coisas na cabeça (TUDO, menos o estudo), mas mesmo assim, eu me dava bem em Português, Biologia e História. Já o resto, era um assassinato às exatas. Mas como eu não tinha outras possibilidades na vida (nem me mexi para ir atrás de outra), fui insistente e terminei o curso (em 2014), aos trancos e barrancos (rodei 3 vezes no total). Até porque, eu já estava trabalhando na área (havia conseguido a vaga por indicação, no ano de 2012) e parecia que tudo estava dando certo na minha vida... Mas eu continuava com um sentimento de que eu não me encaixava na profissão, que eu era muito ruim naquilo e não entendia como eu ainda estava onde estava. Era como se eu quisesse que alguém me salvasse daquele lugar, mas eu aceitei tudo aquilo que eu estava vivendo, portanto, a única pessoa que poderia me salvar era eu mesma! 
    Ok, ok. Estou cobrando uma maturidade de mim mesma no passado que, obviamente, eu não tinha, por isso, eu me perdoo. Além disso, agradeço ao tempo por hoje eu ter a capacidade de olhar pra trás, conseguir refletir e ainda tirar proveito de coisas nem tão boas assim.
   Em 2015 passei por uma fase TREVOSA (princípio de depressão) e continuava no mesmo emprego, fazendo a mesma coisa e, ainda por cima, havia ganhado uma bolsa de tecnólogo numa faculdade privada perto de casa (genteeeee!! Isso não é o máximo??). Então, mais uma vez eu olhava ao meu redor e pensava "o que mais eu preciso?", pois eu parecia nunca estar feliz e este sentimento contribuiu muito para eu começar um tratamento psicológico. 
   Durante o tratamento eu me curei de muitas coisas e, inclusive, continuo me curando. Mas o que a terapia me trouxe de mais valioso foi eu possuir a minha própria vida. Pode parecer estranho, mas eu vivia uma vida onde não tomava decisão nenhuma e isso me colocava em situações onde eu não gostaria de estar, mas como eu não sabia dizer "não" pra sorte, eu agradecia e seguia em frente. Mas nem tudo o que ganhamos é o que realmente queremos!
   Mesmo assim, não foi fácil eu mudar a minha vida. Após dois anos de terapia, estava forte, mas não o suficiente, ainda não era corajosa o bastante. Mas a vida já deveria estar cansada de me ver naquele ciclo e, por isso, me deu um giro de 360º, me sacudiu e virou-me de ponta cabeça. Fui demitida. Era exatamente este o pontapé que eu precisava! No mesmo dia cancelei o curso na faculdade e fui MUITO criticada por isso, podem acreditar. Mas eu já estava costurando aos poucos o meu destino, pois já havia feito o último ENEM com a intenção de mudar de área. Também já havia me informado sobre diversas instituições acessíveis que eu poderia estudar, caso o ENEM não desse certo... E isso foi uma vitória, eu não estava com medo e eu havia feito planos, planos secundários e terciários também. 
   No início de 2017, eu estava finalmente cursando um curso pelo qual eu desejei, trabalhando temporariamente num lugar onde nunca me imaginei estar (e isso não tinha problema algum!). Após o período deste trabalho terminar, eu passei a trabalhar mais perto ainda da minha área, então, daqui pra frente é só trilhar o caminho que eu escolhi, que eu amo, que me faz feliz, que eu me dedico, que eu admiro e principalmente: que eu sou boa.