quarta-feira, 17 de maio de 2017

Falsas Verdades Supérfulas Escritas Num Devaneio Esterioti-lírico

eu falando (mentindo) para mim mesma, dentro da cabeça,
enquanto meu pensamento fica tentando me desmoralizar:

"eu não to tão cool quanto eu gostaria
mas por dentro eu sou"
pensamento sabota em seguida:
[mais uma pessoa que compõe a multidão matinal indo pro trampinho]

"meu cérebro é super style e tals"
pensamento responde ironizando:
[ô, demais]

"eu queria estar segurando um livro cabeça,
enquanto caminho até a estação,
só que ainda não consigo ler caminhando"
pensamento dramatiza:
[mas eu não quero morrer atropelada, nem tropeçar]

"então eu estou ouvindo umas músicas super despadronizadas"
pensamento me desmascara:
[coldplay, the kooks]

"pena que esse mini amplificador que ganhei é rosa pink"
pensamento me entrega:
[fui eu mesma que comprei]

"e isso é o que quebra as pernas do esteriótipo desejado,
então infelizmente eu volto a parecer normal"
pensamento me zoa:
[tu sabe que não é só isso...]

"apenas minha casca é comum"
pensamento cruel:
[é isso aí mesmo que tu ta vendo, muda nada]

"mas se tu me ver mais de perto, tipo, dentro
do olho..."
pensamento contra-ataca:
[vai ver que é castanho-escuro-quase-preto?]

"enxergará toda a minha desviada verdade"
pensamento mostra que me odeia mesmo:
[que não tem nada de mais]

"mas eu preciso criar este clima
pensamento complementa:
[de louca]

"então peço-te paciência
tu vai me ver, qualquer dia desses, por aí,
indo pro trampinho"
pensamento menospreza:
[tu nem fala com essas gírias]

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Morte em vida




       Tu já sentiu um luto, que foi se criando aos poucos, com o passar dos anos?
    É um sentimento triste e compreensivo, que é causado por aqueles que não podem nos suprir de amor, cuidado, carinho, atenção, amizade. Devido à dolorosa realidade de só transferirem aquilo que possuem. Eles são corpos que perambulam pelo mundo a fora, sem deixar nada para os outros, nada para si, nenhum laço, nenhum afago. Não percebem o amor que tentamos demonstrar, sentindo-se sozinhos, sem chão. São estes seres que se matam dia após dia, sem perceberem que estão morrendo para os mais próximos também. É o pai ausente, a mãe gélida, o irmão que nunca te dirige a palavra. Pessoas que não entendem a dimensão de sua própria vida e o quanto ela reflete nos que estão a sua volta.
   Não seja esse alguém, não se mate em vida, recomece.  
       Volte a respirar e olhe pro lado, certamente terá alguém ali, com a esperança de que em vida tu ainda possa ressuscitar.

quinta-feira, 9 de março de 2017

Confissões de pandorga

Durante algum tempo eu até tentei ser mais antenada, ainda bem que não durou muito. Por mais que eu me esforce, política e futebol nunca serão assuntos de meu domínio. Sendo assim, me abstenho.
Meus conhecimentos sobre política e futebol se limitam em saber quem é Bolaños, D’Alessandro, Temer ou Moro. Os únicos que eu conheço de rosto é o argentino e o atual presidente. Desculpa sociedade, mas essa não é a minha praia.
            Muitas vezes ouvi as frases:
- Tu deve saber conversar sobre tudo!
- Leia o jornal!
- Seja bem informada!
Concordo que é muito lindo ser intelectual, culta, cheia de sugestões e críticas. Mas para os assuntos comuns, não sirvo muito como um ser pensante. E eu não me culpo por isso. Portanto, declaro-me inocente.
Orgulho-me dos amigos atuantes políticos. Admiro intensamente os loucos por futebol. Mas, não tenho muito o que dizer, nem sei se queria ter.
Meu negócio é observar o outro, para entender a mim mesma. Minha paixão é o bicho estranho, chamado ser humano, e todos os desdobramentos de sentimentos e ações no decorrer da vida. A minha função é pensar, refletir e escrever. E o meu resultado é blá-blá-blá e poesia. E quem disse que isso também não é importante para o mundo?
Viva as nossas diferenças.  


terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Nome no material escolar




 Passeando pelo centro dia desses, parei frente à vitrine de uma papelaria e me chamou atenção uma placa que dizia algo do tipo “Etiquetas personalizadas aqui”. A frase fazia menção aos exemplos que também se encontravam na vitrine, ao lado da placa, duas folhas e a primeira era assim, escrito em azul:
Kauã P. Kauã P. Kauã P. Kauã P. Kauã P.
Kauã P. Kauã P. Kauã P. Kauã P. Kauã P.
Kauã P. Kauã P. Kauã P. Kauã P. Kauã P.
Kauã P. Kauã P. Kauã P. Kauã P. Kauã P.
Kauã P. Kauã P. Kauã P. Kauã P. Kauã P.
Kauã P. Kauã P. Kauã P. Kauã P. Kauã P.
Kauã P. Kauã P. Kauã P. Kauã P. Kauã P.
Kauã P. Kauã P. Kauã P. Kauã P. Kauã P.
Kauã P. Kauã P. Kauã P. Kauã P. Kauã P.
Kauã P. Kauã P. Kauã P. Kauã P. Kauã P.
 A segunda, igual, só que algum outro nome, de menina e escrito em rosa.
 Cada repetição de nome naquelas folhas eram um adesivo. A intenção era facilitar a vida dos papais e que eles comprassem o nome de seus filhos em série, confeccionados de modo prático, virtual e padronizado. Que baita ideia não? Num mundo com tanta comida congelada, quantas facilidades e mais essa agora!! Genial.
 Não. Tem coisa que não dá pra simplificar.
           Eu entrei na escola com 5 anos de idade e com certeza até os 10 minha mãe colocava  nome em cada partícula do meu material escolar. Ela escrevia com a própria letra dezenas de vezes o meu nome numa folha de caderno, depois recortava um por um e os prendia com fita durex, em cada lápis de cor, canetinha, potinhos de tinta guache, apontador, etc. Por motivos óbvios, os únicos que se salvavam da marcação, eram as massinhas de modelar e os gizes de cera. E eu achava aquilo o máximo, porque depois disso, tudo aquilo era meu de verdade. Aquelas etiquetas caseiras eram como escrituras do material escolar, tornando-o sagrado. Eu os zelava com dedicação, eram de minha total responsabilidade e até pouco tempo atrás eu ainda tinha um lápis ou outro com meu nome escrito com a letra da minha mãe. Isso pra mim sempre significou carinho.
           Quando eu tiver filhos, mesmo que a vida se torne ainda mais corrida e tudo tenha que ser prático e rápido, vou parar, e colocar nome em todo o material escolar deles. Porque é esse tipo de valor que eu quero repassar na minha família.





terça-feira, 24 de janeiro de 2017

O raro balançar de rede




Quando a situação em volta te exige maturidade, tu abandona teu lado emocional por tempo indeterminado. É assim que começamos a nos deixar sempre pra depois e entramos no modo automático, até o dia da pergunta: pera, o que é que eu tô fazendo aqui?
Refiro-me a situações do tipo que eu vivi, por exemplo: ter que decidir sua profissão aos 14 anos; ter que conseguir um emprego logo, pois tem que ajudar nas despesas da casa; ter que se interessar por assuntos que não tem o menor sentido pra ti e ainda ter que ser boa nisso. Essas batalhas mentais entre o que deve ser feito e o que tu gostaria de fazer, é o que nos faz crescer e é também o que nos faz morrer. Ainda bem que a vida dá uma trégua às vezes e a gente pode ressuscitar um pouco.
Cada um de nós possui os próprios desejos e tem o livre arbítrio para escolher, só que, muitas vezes, temos que amordaçar os gritos de protesto dentro de nós e agir da forma que se deve, da forma que a vida pede. Então a gente se sufoca e morre um pouquinho, toda vez que a gente não faz o que gostaria. Óbvio que a vida não é um morango, mas, como eu disse, às vezes dá pra relaxar e é nessa hora que temos que botar o coração pra voltar a bater.
No meu caso, a parte boa é que, eu não sabia o que eu queria, apenas o que eu deveria, portanto, foi fácil para mim só viver boiando nas ondas do mar e fazendo o que me destinavam. Falo de oportunidades, aquelas que tu pensa: como que eu não vou aceitar isso? Que sorte a minha! – e tu aceita, como se tu tivesse que te agarrar a todas as sortes que te aparecem.
Graças aos céus, passamos por momentos que se assemelham ao balançar devagarinho de uma rede. Momentos de paz, de sustentação. Não é preciso decidir nada às pressas, não é preciso se cobrar tanto, nem aceitar todos os golpes de sorte. Onde é permitido dormir e sonhar, planejar recomeços, respirar, dizer não, olhar pra dentro e ouvir-se. E aí a gente renova a alma, armando-se para os novos desafios, que nós mesmos optamos.
É tudo muito bonito na teoria, mas, infelizmente, temos que experimentar para saber o que se queremos e, mesmo assim, vamos mudar de ideia umas 2.856 vezes até o final da vida. Afinal, isso faz parte do nosso autoconhecimento e evolução. Mas te deixo a dica: sempre que puder, não te deixe pra depois.