segunda-feira, 12 de junho de 2017

A verdade nua e crua - feliz dia dos namorados

   


   Será que dá pra gente parar de falar que "primeiro precisamos ser inteiros, para depois nos partilharmos com o outro", ou qualquer variação dessa afirmação que rola vida fora e que não passa de uma calúnia sem tamanho? Vamos parar para pensar em como o mundo seria perfeito se todos nós chegássemos inteiros numa relação, não precisaríamos aprender mais nada com o outro. 
   Também questiono, quando é que estamos inteiros? Com que idade isso aconteceria? Nos enclausuraríamos numa bolha, sem gostar de ninguém, sem viver nenhum relacionamento, afim de esperar o momento em que tu te sentirias pronto. O que é estar inteiro, ou pronto? E depois de fazer tudo "certo", de chegar numa relação super completo e resolvido, se deparar com um outro, um ser absolutamente diferente que te faz sair do eixo, que te faz conhecer lados existentes em ti que nem tu conhecia. Como lidar com essa frustração de que tu já deveria estar ciente do amor, pois tu chegou aqui preparado e que tu acabou de perder todo o fio da meada?
   Pois bem meus caros leitores, se relacionar é buscar se completar perante as diferenças do outro. Porque tu só se dá conta dos teus defeitos, quando eles causam efeito no próximo, afinal, tu nunca teve problemas com eles, porque a ti não fazem nem cosquinha... Opa!
    Então, voilá: pééééééhhhmmmm. Te apresento A Chance. 
   Não se preocupe, tu terás inúmeras oportunidades e é aí que tu tem o livre arbítrio de escolher aprender com elas. E já te prepara que dói viu? É que nem aquela benzetacil maldita que falam que "vai ser só uma picadinha" e tu sente o fogo por baixo da pele se espalhando. É inevitável e irrevogavelmente necessário para o ser humano. 
  A conclusão disso tudo é meio chata, mas infelizmente ninguém nasce "inteiro", ninguém aprende na vida a ser "inteiro" e ninguém vai sair dela "inteiro". É isso aí, um loop em busca da evolução, de sair do estado em que se encontra para um nível acima. 
   Agora, onde fica o final dessa jornada, é o mistério que eu não ouso desvendar. Mas eu te afirmo como mais uma das teorias que circulam por aí sem fundamento, com a intenção de compreendermos a vida, que amar o outro é a forma mais eficaz de conhecermos a nós mesmos. 

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Aventuras

  


   Hoje eu acordei e o primeiro pensamento que veio na cabeça (sim, eu penso no segundo posterior ao ato de abrir os olhos), foi o seguinte - nossa como eu era mais aventureira! - o segundo pensamento foi – será que era ou foram as aventuras que mudaram?
   Sabe quando a gente fala pros mais novos (sente só meu ar de sábia e vivida) – ah! Tudo é tão simples quando se é jovem...
   Bom, realmente, porque olha só como minha cabeça funcionava.

Sobrenatural:
   Quando eu era criança adorava sentir “medinho”, fosse de fantasma ou de vampiros, eu sempre estava tentando desvendar mistérios sobrenaturais e acreditava fortemente neles. Aquilo era uma aventura pra mim, na época.

Namorar:
   Já na pré-adolescência eu só pensava em namorar, tipo: arranjar um namorado, como seria ter um namorado, como seria beijar um namorado, quando será que alguém ia me pedir em namoro, quando alguém ia querer namorar comigo, como eu ia arranjar um namorado.... Isso ocupava minha cabeça na maior parte do tempo e eu fantasiava o futuro o tempo inteiro. Era o que me impulsionava, mesmo na minha cabeça, era uma aventura atrás da outra.

Namorados:
   Na adolescência eu só me metia em confusão, nitidamente influenciada pela minha pré-adolescência, tudo era baseado em: namorados, dramas, namorados, dramas, namorados e dramas. Ai meu coração! Batia assim rapidinho: tumtumtumtumtumtum. Aventura era o que não faltava!

Festas:
   No limbo, que é aquela fase em que tu precisa deixar de ser adolescente (infelizmente) e tem que te tornar adulto (mas ninguém te leva a sério), eu só sabia pensar em tunts-tunts, nas festas, nos babados da festa, quem iria estar na festa, na roupa que eu ia usar na festa, quanto de dinheiro que eu tinha pra gastar na festa. Altas aventuras, cada festa uma surpresa, sempre alguém diferente vomitava no final.

Casa, cozinha, lavar roupa, faxina, rancho, gato, tirar o lixo, trabalhar, faculdade e casamento:
   No momento, me aventuro mais ainda (muito,demais), tipo: no fogão, na lavagem de roupas, na faxina de casa, no rancho do supermercado. Aí todo dia eu acabo quebrando algo, manchando alguma roupa, ou fazendo alguma bizarrice pra comer, depois ligo pra contar pra minha mãe e ela ri da minha cara junto comigo. E no final das contas a verdade e que eu tenho muito o que aprender e aventuras bem mais complexas ainda pra viver (esse é só o começo gente... sério).

   E olha só que coisa mais linda o significado do (nada confiável) Wikipédia para a palavra aventura:

Aventura, do latim "ad venture", significa literalmente o que vem pela frente. Participar de uma atividade de aventura significa estar preparado para o que vier.

   Resumindo: aventura é o friozinho na barriga e o que faz a gente querer viver cada dia.


quarta-feira, 17 de maio de 2017

Falsas Verdades Supérfulas Escritas Num Devaneio Esterioti-lírico

eu falando (mentindo) para mim mesma, dentro da cabeça,
enquanto meu pensamento fica tentando me desmoralizar:

"eu não to tão cool quanto eu gostaria
mas por dentro eu sou"
pensamento sabota em seguida:
[mais uma pessoa que compõe a multidão matinal indo pro trampinho]

"meu cérebro é super style e tals"
pensamento responde ironizando:
[ô, demais]

"eu queria estar segurando um livro cabeça,
enquanto caminho até a estação,
só que ainda não consigo ler caminhando"
pensamento dramatiza:
[mas eu não quero morrer atropelada, nem tropeçar]

"então eu estou ouvindo umas músicas super despadronizadas"
pensamento me desmascara:
[coldplay, the kooks]

"pena que esse mini amplificador que ganhei é rosa pink"
pensamento me entrega:
[fui eu mesma que comprei]

"e isso é o que quebra as pernas do esteriótipo desejado,
então infelizmente eu volto a parecer normal"
pensamento me zoa:
[tu sabe que não é só isso...]

"apenas minha casca é comum"
pensamento cruel:
[é isso aí mesmo que tu ta vendo, muda nada]

"mas se tu me ver mais de perto, tipo, dentro
do olho..."
pensamento contra-ataca:
[vai ver que é castanho-escuro-quase-preto?]

"enxergará toda a minha desviada verdade"
pensamento mostra que me odeia mesmo:
[que não tem nada de mais]

"mas eu preciso criar este clima
pensamento complementa:
[de louca]

"então peço-te paciência
tu vai me ver, qualquer dia desses, por aí,
indo pro trampinho"
pensamento menospreza:
[tu nem fala com essas gírias]

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Morte em vida




       Tu já sentiu um luto, que foi se criando aos poucos, com o passar dos anos?
    É um sentimento triste e compreensivo, que é causado por aqueles que não podem nos suprir de amor, cuidado, carinho, atenção, amizade. Devido à dolorosa realidade de só transferirem aquilo que possuem. Eles são corpos que perambulam pelo mundo a fora, sem deixar nada para os outros, nada para si, nenhum laço, nenhum afago. Não percebem o amor que tentamos demonstrar, sentindo-se sozinhos, sem chão. São estes seres que se matam dia após dia, sem perceberem que estão morrendo para os mais próximos também. É o pai ausente, a mãe gélida, o irmão que nunca te dirige a palavra. Pessoas que não entendem a dimensão de sua própria vida e o quanto ela reflete nos que estão a sua volta.
   Não seja esse alguém, não se mate em vida, recomece.  
       Volte a respirar e olhe pro lado, certamente terá alguém ali, com a esperança de que em vida tu ainda possa ressuscitar.

quinta-feira, 9 de março de 2017

Confissões de pandorga

Durante algum tempo eu até tentei ser mais antenada, ainda bem que não durou muito. Por mais que eu me esforce, política e futebol nunca serão assuntos de meu domínio. Sendo assim, me abstenho.
Meus conhecimentos sobre política e futebol se limitam em saber quem é Bolaños, D’Alessandro, Temer ou Moro. Os únicos que eu conheço de rosto é o argentino e o atual presidente. Desculpa sociedade, mas essa não é a minha praia.
            Muitas vezes ouvi as frases:
- Tu deve saber conversar sobre tudo!
- Leia o jornal!
- Seja bem informada!
Concordo que é muito lindo ser intelectual, culta, cheia de sugestões e críticas. Mas para os assuntos comuns, não sirvo muito como um ser pensante. E eu não me culpo por isso. Portanto, declaro-me inocente.
Orgulho-me dos amigos atuantes políticos. Admiro intensamente os loucos por futebol. Mas, não tenho muito o que dizer, nem sei se queria ter.
Meu negócio é observar o outro, para entender a mim mesma. Minha paixão é o bicho estranho, chamado ser humano, e todos os desdobramentos de sentimentos e ações no decorrer da vida. A minha função é pensar, refletir e escrever. E o meu resultado é blá-blá-blá e poesia. E quem disse que isso também não é importante para o mundo?
Viva as nossas diferenças.